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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Aprilia Shiver 750 - Uma impressionante naked média.

Por Waldyr Costa
Imagens divulgação


Não é fácil participar competitivamente na classe nas nakeds médias esportivas nos dias atuais. O que já foi uma faixa de motos de 600cc, agora é um mercado muito agressivo com motos de 700cc a 800cc, incluindo algumas 650c a outras 850cc. O que menos tem hoje são 600cc puras. Os motores variam de dois, passando por três, até 4 cilindros. Normalmente as mais esportivas estão com maior número de cilindros, mas a tendência atual é que as montadoras passem a adotar motores de três cilindros em linha - como a MV Agusta, Benelli, Triumph e, mais recentemente, a Yamaha - ou dois cilindros em V - como as especialistas Ducati e Aprilia -, como forma de tirar um desempenho mais efetivo com menor custo e maior economia. Os dois em linha estão caindo mais na faixa da nakeds médias de entrada, onde o desempenho não é prioridade. Mas especialmente na faixa das nakeds mais esportivas, é bem difícil brigar com o motores tetra cilíndricos. Neste segmento se destaca a Aprilia Shiver 750, com seu V2 a 90º de 95cv e 8,25 kgfm de torque.



A Aprília é reconhecidamente uma marca especialista em motores V2 e em quadros com excepcional dinâmica. A sua meta para entrar bem nesse mercado de médias era consegui uma moto com tecnologia, desempenho, design, racionalidade no uso dos componentes, facilidade de condução e prazer de pilotagem. Essa é uma combinação bastante trabalhosa para qualquer departamento de engenharia, especialmente porque nunca vai se atingir 100%, é simplesmente impossível, mas dá pra chegar bem perto. Quem tem um departamento de engenharia com 250 vitórias em campeonatos mundiais logicamente tem know-how. Desenvolver uma moto com capacidade para uso diário, bem como para viagens, para brincar na pista ou para passeios é uma meta, digamos.. "fdp". A Aprilia Shiver 750 consegue ser leve, ágil e forte, fácil de conduzir para o novato, divertida e gostosa para os mais experientes.


O motor V2 da Shiver 750 foi totalmente desenvolvido pela própria Aprilia. É compacto e muito potente, com cavalaria equivalente aos motores de 4 cilindros, mas com uma faixa de torque realmente "gorda" que um 4 em linha não consegue ter. O quadro é uma estrutura em treliça mista de aço e alumínio, conferindo alta rigidez e leveza. Com esses requisitos, não há dificuldade para um estreante começar sua carreira com uma 750cc.


Tal como acontece com todos os produtos de Aprilia , a Shiver 750 tem um design inovador, onde forma e função se reúnem para criar um objeto harmônico. Ela é tecnologia pura e isso fica evidente em suas afiadas linhas esportivas. O quadro e o motor, 100% novos, são as bases do projeto e também são, efetivamente, os principais elementos que caracterizam a aparência do Shiver 750. Cada item foi concebido para ser não apenas bonito, mas também funcional. O desenho é refinado e ao mesmo tempo limpo, sem muitas frescuras para manter a máxima funcionalidade possível. 


O escape também é um elemento de destaque, criando uma aparência agressiva e elegante na rabeta da moto. O conjunto assento/tanque/guidão enfatiza ainda mais a sensação de quanto ela é compacta pela forma como integra piloto e máquina. Isso gera uma sensação simbiótica, dando a impressão de que a moto já é uma velha conhecida do piloto. Uma rabeta bem afilada incorpora o escape duplo com silenciadores triangulares, passa ainda mais agressividade e mantém a distribuição de peso simétrica. A adoção do amortecedor lateral foi proposital para otimizar a saída de escape, mantendo o centro de gravidade e massas mais baixo, favorecendo a agilidade.


O motor V2 a 90º herda toda a experiência da Aprilia em alta performance. Intermináveis ​​horas de testes de bancada e nas estradas produziram uma verdadeira obra-prima da engenharia mecânica, capaz não apenas de alta performance, mas também de total confiabilidade. Graças às suas características técnicas específicas, este motor combina alta potência específica com o máximo de facilidade de condução. O motor foi projetado pelo departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Aprilia, que se propôs a criar um "engenho" poderoso e confiável que reduz consideravelmente a necessidade de manutenção. A busca pelo desempenho máximo em sua classe levou à adoção de uma série de recursos técnicos avançados e inovadores. Além da configuração V2 a 90º, ele tem acelerador eletrônico "Ride by Wire", relação diâmetro e curso mais quadrada, quatro válvulas por cilindro, duplo comando no cabeçote acionado por corrente, injeção eletrônica com dois corpos de aceleração independentes, cabos de velas com bobinas supressoras, conversor catalítico de três vias, sonda lambda e embreagem hidráulica.


Para este tipo de moto, a configuração do motor em V a 90º foi a melhor solução encontrada em termos de performance e tamanho. Com uma faixa de torque abundante em toda a faixa de rotação e as vibrações em níveis desprezíveis, este motor é pleno e forte. Certamente um dos melhores da categoria. O controle do tempo de abertura e fechamento das válvulas mereceu atenção especial, com o movimento do virabrequim sendo transmitido para o comando duplo das 4 válvulas por cilindro através de um conjunto corrente-engrenagem misto, que permite uma configuração mais compacta, precisa e durável. Esta mesma fórmula já foi aprovada quando aplicada ao motor da super esportiva RSV1000R.


O sistema de injeção usa bicos vaporizadores ultra finos, classificados como atomizadores. Essa opção, juntamente com o avançado sistema de dinâmica dos fluidos, garante tanto uma mistura e combustão mais perfeita, como também maior potência e menor quantidade de resíduos resultantes. O sofisticado gerenciamento eletrônico pôs a Aprilia Shiver 750 como um marco nas motos médias, quando foi a primeira moto desta categoria a vir com acelerador eletrônico de série. O acelerador eletrônico otimiza a abertura dos corpos de aceleração - aqueles que ficaram no mesmo lugar do carburador - de acordo com inúmeros parâmetros, incluindo rotação do motor, marcha selecionada, ângulo de posição da borboleta, velocidade no punho do acelerador, pressão atmosférica e temperatura ambiente. Com isso o motor está sempre apto a oferecer a melhor aceleração e "pegada", mantendo o mínimo consumo possível com mais fluidez e eficiência na pilotagem. Isso resulta em mais torque e potência em baixos e médias rotações, otimizando o aumento de rotações, mesmo quando frio. A potência máxima de 85cv @ 9.000 rpm e o torque máximo de 8,25 kgfm @ 7.000 rpm são excelentes para um V2 de 749,9cc. A grande capacidade de fornecer torque em baixas e médias rotações torna a Shiver 750 fortíssima em sua faixa de cilindrada, especialmente se considerarmos um uso misto cidade/estrada.


Uma moderna central eletrônica controla todos os parâmetros do motor, todos os dados passam através do CAN (Controlled Area Network / Área de Controle de Rede). Esse sistema utiliza apenas dois cabos para transmitir todos os dados. Isto simplifica enormemente a instalação elétrica, bem como ajuda na redução de peso. O escape é feito inteiramente de aço inoxidável. Os tubos coletores são 2:1:2, se unem sob o assento, em um único silenciador, separando-se em seguida para formar as duas ponteiras na rabeta. O grande volume (10 litros), contribui para a respiração plena motor e maior eficiência.


As motos Aprilia sempre têm um dos melhores chassis. Com a Shiver 750 não é diferente. Foi criado um quadro que é ao mesmo tempo muito fácil e intuitivo, como também de alto desempenho. O quadro incorpora a experiência da Aprilia em competições e os novos desenvolvimentos em estruturas mistas, como os futuristas e vitoriosos RXV e SXV. A parte superior da treliça de aço tubular é ligado a grandes placas laterais por meio de parafusos especiais de alta resistência. Isso cria um quadro leve e extremamente rígido, a melhor solução para aproveitar toda a potência do V90 Aprilia. Criação de uma boa moto sempre envolve a sinergia entre as engenharias de chassis e motor. As opções de projeto escolhidas para o motor V90 levou à construção de um quadro altamente racional e eficiente. As reduzidas dimensões do motor possibilitaram obter uma moto compacta e ágil, com a ajuda do posicionamento lateral do amortecedor, que não está lá só por beleza, e sim por uma decisão técnica apurada, que criou um valioso espaço para desenvolver o sistema de escapamento, que foi cuidadosamente dimensionado para extrair o máximo do motor. Isso permitiu a otimização da configuração do escape, sem afetar as dimensões da moto de maneira significativa e sem expor o amortecedor traseiro, um elemento fundamental de segurança, ao estresse térmico. A balança traseira de alumínio tem reforço estrutural específico para o posicionamento lateral do amortecedor e estabelece um novo patamar em rigidez em sua categoria.


A suspensão da Shiver foi tratada com a maior seriedade possível e com o intento de obter a melhor performance possível em uma moto desta classe. Foram selecionados tubos telescópicos invertidos de 43 mm com base para pinças radiais para obter máxima suavidade na dianteira. O curso de 120mm permite seus uso com desenvoltura tanto na cidade como na estrada. Tanto a mesa inferior como a mesa superior são feitas de liga de alumínio. O amortecedor lateral traseiro repousa diretamente sobre o braço oscilante explorando o princípio do cantilever (apoio unilateral) e oferece ajustes para pré-carga da mola e retorno hidráulico. O curso da suspensão traseira é de 130 mm. Os pneus são 120/70ZR17 e 180/55ZR17.


Outra inovação da Shiver é que ela foi a primeira naked média a utilizar pinça de freio radial, enfatizando o caráter esportivo da moto. Os freios dianteiros com discos de 320 mm são os mesmos utilizados nas poderosas RSV1000R and Tuono1000R. Na traseira um disco fixo de 245 mm com pinça simples dá conta do recado. Os dutos de freio são todos tipo aeroquip, que utilizam revestimento de malha de aço para eliminar as variações de pressão que as tradicionais mangueiras de borracha sofrem, garantindo máxima precisão e sensibilidade ao sistema.


O painel de instrumentos é tipo Matrix, com sistemas analógico e digital combinados, recebendo todos os dados e funcionando também como sistema de auto-diagnóstico, já que é um mini-computador com memória. O design é bem moderno, compacto e leve. Todas as funções podem ser selecionadas sem tirar as mãos do guidão. A intensidade do brilho do painel digital de LED pode ser selecionada em três níveis de branco na zona análoga ou vermelha na zona digital. O guidão de alumínio tipo Fat Bar são uma referência direta à naked top de linha Tuono, com máxima leveza e controle, um componente top que nenhuma outra da categoria supera. O farol de dupla parábola tem superfícies complexas e luz dupla de posição. A avançada embreagem hidráulica garante ação constantemente precisa e acoplamento incrivelmente suave, e oferece toda a conveniência de ser auto ajustável e livre de manutenção. A altura do assento é de 81 cm. O tanque de combustível tem capacidade para 15 litros.


A Aprilia está presente em nova países da América do Sul, mas o Brasil não está entre eles. Quem sabe em 2014 a empresa acerta com alguma montadora nacional para disponibilizar os seus ótimos produtos aqui.



5 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. A Aprilia não tem filial nem representação aqui no Brasil. Você pode tentar com importadores pra ver se compensa. O grupo Piaggio, ao qual a Aprilia pertence, está se articulando para voltar ao Brasil, mas ainda não sabemos de nada oficialmente. Atualmente as importações não estão compensando muito. Algumas pessoas se juntam e fazem um "consórcio/cooperativa" para fretar um container e trazer várias motos. É a maneira mais em conta, desde que uma das pessoas do grupo conheça bem os procedimentos de desembaraço aduaneiro. Há três anos fiz um orçamento para trazer uma GSX-1250FA dos EUA, o preço final ficou nos R$ 52.000,00 na época. A moto chegou aqui oficialmente pela JToledo Suzuki do Brasil por R$ 38.000,00. Daí dá pra ver que importação só vale a pena com o dólar abaixo de R$ 2,00. Infelizmente.

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  3. Que moto linda! Ela é completíssima... pena que não é brasileira, então fica muito caro para importar uma belezinha dessas.

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