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terça-feira, 13 de maio de 2014

Suzuki Bandit 1250S 2009 - teste de longa duração/usadas: parte 3

Textos e imagens: Waldyr Costa

A Bandit 1250S 2009 completou mais um mês de teste.  Leia a nossa matéria e saiba como ela está se saindo.

Nós estamos acostumados a ver as classificações das motos com palavras inglesas como naked, custom, standard, supersport, adventure, superbike, trail, city, touring, etc. Uma Bandit é uma moto esporte básica, o que eles chamariam de sporty standard, mas que serve para uso diário (commuting) e para viagens (touring), uma multi-uso polivalente (all-rounder). Por isso, a nossa intenção nesse teste de longa duração com a moto não é extrair o máximo de desempenho e explorar seus limites, isso fica para as superesportivas. É justamente o contrário. A utilização da moto é sempre em uso cidadão, de modo civilizado, da mesma forma que uma pessoa comum estaria usando a moto no dia-a-dia.



Aquele nome Suzuki na rabeta não é original. A moto veio com alguns itens personalizados pelo ex-proprietário.

Para a maioria dos motociclistas a opção de ter duas ou mais motos está descartada. Nesses casos, saber como a moto, que pretende comprar, se comporta em uso urbano diário para ir à faculdade, ao trabalho, atender alguns compromissos profissionais ou dar uns passeios nas horas de folga, é fundamental para decidir a sua compra. Então vamos ao que interessa.

A Bandit é uma moto pra qualquer hora. Se sai muito bem na cidade, em pequenos passeios ou em longas viagens.

Antes de qualquer coisa, a moto deve estar em perfeitas condições de segurança. Pneus, suspensões, freios, tração, motor e sistema elétrico funcionando bem. Ao adquirir uma moto usada, você provavelmente terá uma lista de melhorias a fazer no seu novo brinquedo. Dê prioridade aos itens de segurança e mecânica, nessa ordem. Só depois cuide da aparência. Os principais itens de segurança você já sabe que são pneus, freios e suspensões. 

Após os primeiros ajustes e uma revisão básica, a bandidona mudou da água para o vinho.  Suavidade, conforto e força.

AQUISIÇÃO
Vou lhes contar como recebemos a Bandit deste teste, que foi adquirida de um proprietário particular, ou seja, não foi em loja. Aparentemente ela estava ok, mas olhando mais atentamente, notei que alguns itens deixaram de sofrer a devida manutenção e outros estavam ignorados: pneu traseiro muito desgastado, tração com acúmulo de resíduos, bengala com uma leve camada de óleo no cilindro, manete de embreagem desalinhado, manoplas desgastadas e já folgadas, alguns retoques na pintura estavam mal-feitos e outros detalhes mínimos que não convém comentar porque não acrescentam nada a este conteúdo.

O cavalete central é um item muito válido e é um coringa na hora da manutenção.
Deveria ser obrigatório em todas as motos deste tipo.

Montando na moto e dando a partida, percebi a respiração do motor um pouco preguiçosa e pesada. Ao começar a pilotá-la, notei que ela estava teimosa, imprecisa e instável. Tinha um barulho na caixa de direção e na carenagem. Isso não me deixou nada satisfeito, juntamente com aqueles outros detalhes escondidos. Mas, por outro lado, eu precisaria observar tudo e procurar a solução correta, da forma mais prática e racional, como qualquer outro usuário de moto faria, pra contar tudo para vocês. Lembrem-se de que não é um teste de uma moto zero km, ela já tem quase 5 anos de uso. 

Depois que ganhou pneu novo, a moto passou a fazer curvas como se deve.
Note os piscas não originais que vieram como "presente de grego" na moto.


Primeiras providências
A primeira coisa a fazer, a mais simples de todas: calibrar os pneus. Somente esta pequena ação foi capaz de transformar a moto em um veículo estável, obediente e quase preciso. Quase, porque o pneu traseiro estava uma lástima e precisaria ser trocado. Afinal não tem como uma moto ficar precisa na trajetória com um pneu quadrado na traseira.

A moto veio com um pneu não radial na frente, o Pirelli Sport Demon.
Resolvi testá-lo por ele ser novo e também para ver como se sairia um pneu
que admite maior deformação que um radial. Surpreendentemente o resultado
tem sido bastante satisfatório, mesmo na chuva, curvas ou em alta velocidade.

Inicialmente gostaria de testar o Metzeler Roadtec Z8 ou o Michelin Pilot Road 4. Mas a falta desses pneus no momento em que precisei comprar, me fez alterar os planos e procurar outros dois pneus esporte-turismo: o Continental Road Attak 2 e o Pirelli Angel GT. A princípio os Bridgestone BT23 não foram considerados porque os lojistas nem sabiam da existência desse pneu. O mesmo aconteceu depois com o Metzeler Z8, o Michelin PR4 e o Conti RA2.

O pneu traseiro Pirelli Angel GT rodou mais de 2.000km antes de "apagar" a marca GT na banda de rodagem.
Tem excelente aderência, inclusive no molhado. Apesar da quilometragem, ainda não aparenta desgaste.
Tem excelente precisão, bom conforto e aderência em piso úmido, até pelo menos 200km/h em bom asfalto.
É um dos pneus com melhor rendimento quilométrico no mercado. Nos testes da revista alemã Motorrad ele conseguiu
o 1º lugar em longevidade. Vamos ver se ele vai comprovar isso em nosso teste.
A pressão usada será sempre a indicada no manual.

Então a moto foi calçada com o Pirelli Angel GT 180/55 ZR17 73W com preço inferior a R$ 650,00 (só o pneu, sem montagem); enquanto que na principal loja da cidade seu preço estava na casa dos R$ 800,00 (com montagem e balanceamento "inútil", pois só serve para rodar na cidade). Agora era fazer o balanceamento "in loco", ajustado para velocidades até 200km/h. Este sim, um balanceamento de verdade, valeram os R$ 100,00 investidos.

Ela é básica e muito eficiente. Não há um monte de "eletrocoisas" para ajudar na pilotagem.
Apenas um bom sistema de injeção eletrônica. A ergonomia é boa para os grandões e também os pequenos.

Agora a moto começou a se transformar numa Bandit de verdade, mas ainda faltava uma revisão e alguns ajustes. Lembre-se de verificar se existem amassados na roda, e se ela está perfeitamente alinhada, antes de colocar um pneu novo. É uma boa oportunidade para eliminá-los, pois atrapalham o balanceamento e a estabilidade, além de causarem vibração.

O conforto da Bandit apenas fica prejudicado em piso com pavimento de paralelepípedo,  principalmente se as regulagens
das suspensões estiverem mais "duras". Se a sua cidade tem piso deste tipo ou asfalto irregular em muitos locais,
é recomendável usar menos pressão nas molas. Mesmo com a pré-carga mais leve os amortecedores são muito eficientes.

Manutenção inicial
Para uma revisão preventiva e também para observar parcialmente o estado geral mecânico da moto, foi feito o seguinte: 

• Troca dos retentores e fluido nas bengalas (um deles estava vazando um pouco, é sempre bom aproveitar para trocar logo os dois)

• Troca do fluido (DOT4) dos freios e embreagem (brevemente farei a substituição destas mangueiras pelas do tipo aeroquip e também o fluído do freio dianteiro será DOT5.1 - opção pessoal, considero válida)

• Limpeza, verificação e lubrificação nos rolamentos da roda dianteira e traseira (fazer isso pelo menos duas vezes por ano - antes e depois do inverno)

• Limpeza, lavagem e lubrificação no conjunto de tração (estava imundo e extremamente ruidoso, ficou muito silencioso depois da limpeza - fazer isso sempre que ela sujar, importante para não ficar trocando a tração duas vezes por ano)

• Limpeza, lubrificação e ajuste nos rolamentos da caixa de direção (dependendo do estado das vias que você trafega, a caixa de direção pode apresentar folga precoce, mas não existe um prazo ou quilometragem para isso acontecer)

• Troca de óleo e filtro de óleo do motor (a recomendação da JToledo/Suzuki Brasil é trocar o óleo e o filtro a cada 3.000km - na Europa a Suzuki recomenda a troca do óleo a cada 6.000km e a troca do filtro do óleo a cada 18.000km - eu entendo que 5.000km para óleo e filtro é suficiente para o nosso clima e combustível, considerando um uso civilizado da moto. Mas é preciso seguir a recomendação da JT/Suzuki enquanto a moto estiver na garantia)

• Limpeza, lavagem e lubrificação no filtro de ar - este estava literalmente “entupido” e estava causando “asma” ao motor (K&N - opção pessoal - caso seja o original, é para substituir o elemento do filtro)

• Troca do fluido de refrigeração (50% de [mono] eliteno-glicol + 50% de água destilada e desmineralizada - aproximadamente 3,5 litros - evite usar outros aditivos)

• Reaperto em todos os parafusos estruturais e de acabamento (item importante para ser checado ao menos uma vez por ano, pois as folgas estão sempre querendo aparecer)


• Obs.: está programada uma revisão geral completa, pois esta foi apenas para fazer a moto “andar na linha”, com ênfase nos itens de ciclística. Esta moto iniciou o nosso teste de longa duração com aproximadamente 42.000km. Estas revisão e trocas foram feitos aos 42.250km, quando foi iniciada a contagem da quilometragem da durabilidade dos pneus Pirelli Angel GT na traseira.

Clique sobre a tabela para ver maior.

Trânsito muito engarrafado faz a Bandit 1250S consumir abaixo dos 10km/l.

NA CIDADE
Então, após esta "pequena revisão" e ajustes, a Bandit renasceu em sua plenitude. Impressionantemente ágil para uma moto do seu porte e peso, tem boa desenvoltura no trânsito urbano. Das motos que já pilotei, foi a que tive adaptação mais rápida. Boa ergonomia, conforto e suavidade de funcionamento. Há de sempre lembrar que o acelerador tem que ser tratado com carinho, pois ignorância com ele é pedir o mesmo tratamento de volta, e aí já viu, você vai precisar ser muito bom para se limpar da m. que fez. O consumo em trânsito travado é alto, na casa dos 10km/L, mesmo pilotando com aceleração mínima, sem reduzidas e evitando aumentar a velocidade desnecessariamente, o melhor que consegui foram apenas 12km/L, num trânsito bem travado. Qualquer situação de trânsito melhor o consumo diminui muito, imagino os que moram em Brasília, por exemplo, e trafeguem principalmente pelas vias expressas, devam conseguir algo em torno de 15 a 16km/L.


Manobrá-la com o motor desligado em piso escorregadio é muito ruim para minhas pernas curtas. Normalmente prefiro descer da moto para manobrá-la se tiver que empurrá-la para trás em pisos mais difíceis. Nas saídas dos semáforos, nem precisa acelerar direito que ela já sai na frente da maioria. O motor é tão forte que se estiver em um terreno plano, em primeira marcha, sem acelerar, a moto mantém a velocidade constante de cerca de 10km/h só com o controle de rotação do motor em marcha lenta feito de injeção eletrônica. Você pode até se encontrar fazendo retomadas desde 1.000rpm em 3ª ou 2ª marchas sem sentir falta de motor.


Com o trânsito livre à frente, é possível circular sempre em 6ª marcha, com velocidade constante a 45km/h ou 50km/h. Quando chega a 60km/h, ou 2.000rpm, o motor já está pronto para ser acelerado com mais ênfase. Aliás, nessa velocidade de 60km/h, em 6ª marcha e em velocidade constante, a Suzuki do Japão garante que ela é capaz de fazer nada menos que 27km/L. Com nossa "gasoalcoolina" é difícil, mas estou tentado a fazer o teste para ver se consigo pelo menos uns 25km/L, talvez um dia livre num autódromo me permita isso.

As duas pinças 2x2 Tokico são muito potentes, mas sua eficiência fica prejudicada pelas mangueiras muito flácidas.
Substituí-las por outras com revestimento em malha de aço (tipo aeroquip) é uma boa opção para melhorar os freios.

FREIOS
As mangueiras originais já ficaram flácidas e isso prejudica enormemente a eficiência dos potentes freios, tornando-os muito menos eficientes do que realmente são - a fábrica recomenda trocar as mangueiras hidráulicas do freio e da embreagem a cada 4 anos, e isso está mais que evidente. Porém, no caso desta Bandit, irei optar pelas mangueiras revestidas com malhas de aço inox (aeroquip), que dará muito mais rigidez e eficiência ao conjunto, aproveitando melhor a real capacidade das pinças de freio. Quando fizer a troca, repassarei para vocês o nível de melhora pelo investimento.

Na traseira vai uma pinça 1x0 simples da Nissin. Também não é uma maravilha em eficiência.

Dentro da normalidade o freio é poderoso e eficiente, bem dimensionado para a moto, mas também não está à altura dos super-freios das esportivas de 1.000cc. Nas rodovias os freios são ainda melhores, mesmo com garupa e bagagem as "mordidas" das pinças são fortes e seguras, compatíveis com a proposta turística da moto. São bastante moduláveis e dá pra dosar, com muita facilidade e precisão, a intensidade dos travões;

Na suspensão dianteira há um parafuso para ajuste da pré-carga da mola com cinco posições (marcas em anéis).
O ajuste de fábrica é na posição três. Não há opção para ajuste da válvula de compressão e retorno. A frente é
bastante condizente com a proposta da moto, especialmente nas estradas,  onde seu desempenho proporciona
ótimo conforto ao piloto.

SUSPENSÕES
A regulagem de fábrica para a suspensão é voltada para a estrada, por isso na cidade é necessário reduzir a pré-carga nas molas para trafegar com mais conforto pelas ruas com asfalto irregular ou de paralelepípedos. A posição "1" (mais macia), tanto na dianteira quanto na traseira, foi a melhor opção para o meu caso - tenho 70kg e 1,67m de altura, além de baixo, sou relativamente leve. Para alguém com 1,90m e 100kg a opção certamente será diferente. Mesmo com essa suspensão mais macia o comportamento geral da moto foi muito bom e não decepcionou em nenhum momento e não causou insegurança, mesmo quando tive que pegar uns trechos de rodovias.

A suspensão traseira é a mestra do conforto nas viagens. Para um piloto leve, viajando com pouca bagagem e sem
pressa, dá para usar tanto a dianteira como a traseira na posição 1, a mais macia. Mesmo assim ela será muito boa.

Na verdade fiquei positivamente impressionado com o quão boa é a moto com este setup macio, o que eu antes duvidava que fosse. As irregularidades do piso foram engolidas sem problemas e somente em casos de buracos repentinos é que a moto correu o risco de chegar ao final do curso dos amortecedores. Mesmo trabalhando mais solta, a suspensão manteve boa estabilidade, até em frenagens mais fortes. Também fiz uma pequena viagem de 400km ida/volta para avaliar a validade dessa regulagem macia numa rodovia, com a qualidade de pavimento inferior. O conforto se sobressaiu nessas condições. Parecia que estava numa dessas Gran Turismo de 90 mil Reais, sendo a Bandit mais leve e estável que qualquer delas. Até abusei um pouco em algumas curvas de alta e as irregularidades do piso não alteraram a trajetória.


Infelizmente não pude pegar o trecho bem travado de curvas que queria, fica para a próxima. A regulagem padrão, que é com meia pré-carga, fica ótima para viajar mais rápido, mesmo "garupado". Porém sozinho é ainda melhor. Não testei as regulagens mais duras, mas imagino que sejam para aqueles com mais de 120kg, com garupa de igual peso e algumas bagagens. Testá-las comigo mesmo não seria uma avaliação adequada, mas pode ser válida para saber sobre uma pilotagem mais agressiva, embora não seja esta a proposta da moto. Vou tentar responder a isso na próxima postagem.

A Bandit foi projetada para oferecer conforto, força e versatilidade com preço justo.
Objetivo atingido.

QUADRO
Com este quadro, repetidas vezes reforçado a cada nova edição da Bandit, as torções não apareceram. Claro que não levei a moto para um autódromo para tirar isso a limpo, mas como essa moto não é pra circuito mesmo, isso importa menos. Pesa mais seu comportamento em ruas e rodovias. Nas frenagens fortes a frente fica um bocado pesada e a mudança de trajetória nessas condições não é recomendável, pois a inércia vai fazê-la continuar em linha reta. Portanto não exagere nas frenagens, principalmente quando tiver tráfego à frente, pois o ângulo (caster) um pouco mais aberto na suspensão dianteira vai oferecer um esforço muito maior no guidom para frear e desviar ao mesmo tempo. Normal para este tipo de moto, mas para um piloto inexperiente pode ser um problema, principalmente por deixar o peso do corpo cair sobre os braços, o que dificultará ainda mais esta manobra.

Tanto para trafegar em rítimo de passeio, bem devagar, como para viajar com
velocidade de cruzeiro alta, a Bandit está preparada para lhe dar conforto e
segurança. Ela não reclama de nada, apenas faz o que você manda.

A geometria do quadro favorece tanto aos mais baixos, como eu, quanto aos grandalhões de 1,90m. Já para o garupa não é um paraíso, principalmente se a viagem for longa, acima de 300km. Fazer uma viagem de 1.000km de ida/volta pode ser muito cansativo pela falta de apoio lombar e por as pedaleiras serem um pouco altas para uma moto de turismo. A ergonomia é boa e creio que mesmo os grandões se encaixarão bem na moto, pois o banco tem bastante espaço e o cockpit é amplo para acomodar todos os tipos. Eu me acomodei melhor bem encaixado no tanque, com mais liberdade para usar as pedaleiras e o guidom com menor esforço.

Este motor é uma ótima obra de engenharia. Suave, forte, incansável, indestrutível.
Mas não aceita ser tratado com brutalidade, pois se é ignorância que você quer, é ignorância que você vai ter.

MOTOR
Este é o ponto forte da moto. Não encontrei um defeito sequer. Talvez se o ruído da embreagem fosse imperceptível e o consumo fosse equivalente ao de uma bicilíndrica de 500cc ele fosse perfeito, mas isso é utopia. E também não haveria aquele maravilhoso torque à nossa disposição. Esse propulsor é a essência da Bandit 1250. Impressionantemente suave, livre de vibrações, com entrega de torque e potência muito forte e progressivos. A progressão do torque vai de 1.500rpm a 3.750rpm. A partir daí o torque já é de 100% e continua assim até quase 7.000rpm, ou seja, entre 4.000 e 7.000 rpm o motor está pleno de torque, como se fosse um motor elétrico, impressionantemente gostoso. Acima das 7.000 rpm há um decrescimento suave e progressivo do torque. Já a potência tem uma progressão longa e exemplar até às 7.000rpm, quando atinge os quase 100cv, se mantendo nesse patamar até as 8.000 rpm. Tem uma leve queda por volta de 8.300rpm, mas atinge o pico novamente antes das 8.700rpm, decaindo somente quando começa a chegar no limite de corte de ignição, às 9.500rpm.

Uma ótima companhia para passeios relaxados, a Bandit "navega" com suavidade
em 6ª marcha a apenas 50km/h. O motor já começa a responder a partir de 1.500rpm.

Como você observou, não é um motor que gira muito alto. O trabalho de engenharia foi muito bom em deixar o melhor do motor na faixa de giro mais usada, que são as médias e baixas rotações. Qualquer motor de mesmo porte precisará de muito mais giro para extrair o mesmo torque e potência desta Bandit. A maior parte das motos de 1.000cc do mercado têm desempenho do motor inferior ao desta Bandit na mesma faixa de giro, abaixo das 7.000rpm, incluindo até as esportivas. Se não fosse a sua massa de moto de turismo/passeio, o desempenho desta Bandit seria ainda mais contundente. Imagine só, se ela tivesse uns 200kg com tanque cheio, ao invés dos 250kg que tem.

O painel é básico, porém tem todas as informações importantes. Conta com dois odômetros parciais: Trip A e B.
Um você pode usar para marcar os intervalos de revisão ou troca de óleo e o outro para os abastecimentos.

Em 6ª marcha, o acréscimo de velocidade a cada 1.000 giros do motor da Bandit 1250 é de 30km/h. Explicando melhor, é o seguinte: 

Relações de rpm x velocidade, na 6ª marcha:

2.000 rpm = 60km/h (trafega sem reclamar)
3.000 rpm = 90km/h (está fazendo mais de 21km/L)
4.000 rpm = 120km/h (aproximadamente 18km/L)
5.000 rpm = 150km/h (ela insiste em andar mais)
6.000 rpm = 180km/h (já? nem deu pra perceber!) 
7.000 rpm = 210km/h (parece que ainda está na 1ª)
8.000 rpm = 240km/h (até aqui vai fácil)
9.000 rpm = 270km/h (teórico - aqui não chega)

É difícil não gostar da Bandit se levá-la para a estrada, onde é um prazer pilotá-la.

NA ESTRADA
A praia da Bandit é definitivamente a estrada, especialmente as auto estradas, onde você pode ter o que ela faz de melhor: viajar com conforto e segurança, motor muito forte que não pede redução nas ultrapassagens, curvas seguras, suspensões competentes para longas viagens e finalmente uma moto que não liga para o peso que está levando. Não há outra moto no mercado que ofereça isso tudo por tão pouco investimento. Todas as suas concorrentes são mais caras, têm motor que pedem mais giro para trabalhar, mais trocas de marcha para ultrapassar e maior custo de manutenção, exceto talvez por aquelas que têm transmissão por cardã. Para se conseguir uma moto melhor que ela, nesta proposta de uso, pode se preparar para desembolsar, pelo menos, 50% a mais de verba.

Os faróis ainda não correspoderam à altura.
Talvez sejam as lâmpadas que vieram na moto.

Com acelerações fortes e suaves ao mesmo tempo, dá para sair de 110km/h para 150km/h em poucos segundos. Neste caso, por exemplo, motor sobe de giro das 3.750rpm para as 5.000rpm com muita facilidade e fluidez, permitindo muita segurança nas ultrapassagens em pistas simples e em pouco espaço. Outra boa surpresa é o bom desempenho da suspensão em curvas, com muita estabilidade e precisão direcional. Ajudam as opções de regulagens da pré-carga das molas e ainda a regularem de resposta do amortecedor traseiro, que lhe permitem deixá-la afinada para o tipo de viagem que vai fazer, seja ela muito longa ou apenas um passeio de fim de semana. A proteção da bolha vai até a altura dos ombros, o que pode desagradar aos mais altos, que receberão o vento ainda abaixo dos ombros. Existem acessórios opcionais como bolhas maiores ou defletores de pára-brisa disponíveis no mercado para minimizar esse efeito.

Uma vantagem nesse farol da Bandit é que a lâmpada de farol baixo permanece acesa com o farol alto aceso.
O farol da Bandit ainda está devendo um bom desempenho. Ele veio com duas lâmpadas "azuladas" dessas "pebax" que imita lâmpada de xenon. Troquei a do farol alto, porque estava opaca, por uma "normal" de fabricação nacional e já melhorou bastante. Porém a do farol baixo ainda será substituída, pois parece ser menos potente que a que substitui do farol alto. O facho de "luz baixa" é bem distribuído pelas laterais mas com alcance muito curto. Isso ajuda a não incomodar quem vem lá, mas não atrapalham o piloto. Existe um anteparo que limita a projeção da luz baixa à frente, de modo que me pareceu que, mesmo que se fosse permitido usar uma lâmpada HID de xenônio, não iria causar ofuscamento a quem vem de frente. As luzes de posição estão com LEDs azuis, devo substituí-las por LEDs brancos de 5.000K. Já na posição de farol alto, você tem as duas lâmpadas halógenas H7 de 55W clareando o seu caminho, a de luz baixa e a de luz alta, ao mesmo tempo. O refletor do farol alto é bem concentrado à frente, ajudando a focalizar somente a faixa de rolamento que está sendo usada, sem desperdício de luz para as laterais, ficando essa parte a cargo do farol baixo que continua aceso permanentemente. Não há opção de desligar o farol baixo, uma segurança para os esquecidos de plantão que não lembram de aceder o farol ao trafegar durante o dia. 

Por enquanto é isso. Essa terceira parte da série Bandit 1250S não encerra as postagens, porém os intervalos entre as publicações deste teste de longa duração poderão ser maiores, até quando juntarmos mais detalhes e informações que sejam relevantes. Boa sorte e pilotem conscientes.

Saiba sobre a nova Bandit 1250S ABS 2015 (aqui).

19 comentários:

  1. Bom dia companheiro de B125,
    obrigado pelo post, muito informativo... há dois meses adquiri uma bandit 1250 2011 e estava preocupado com o consumo, agora nao estou totalmente satisfeito porém está na faixa dos 15,5 km/litro... ontem verifiquei que ao redor do TBI (corpo de borboletas) há uma umidade de combustível que poderá estar saindo no encaixe da mangueira, mas terei que retirar o tanque para a confirmação... vou ver se alguém já fez isso.
    Abraço!
    Pimenta.
    pimentatb@yahoo.com.br

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  2. Boa tarde!!

    Quando termos a continuação desta matéria?
    Gostei muito do que li até o momento!

    Também possuo uma B12.5S. Já tive outras motos grandes, mas depois que comprei a Bandit, não penso em trocar de moto tão cedo. A moto é um espetáculo!

    Abraços!

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    1. Olá amigo,

      Ainda estou levantando dados para fazer uma boa matéria. Foi instalado duto de freio (dianteiro) tipo aeroquip para avaliar o quanto a moto melhora em frenagem, está sendo avaliando o desgaste e o desempenho do pneu traseiro Pirelli Angel GT, ainda faltam outras medições de consumo e desempenho em determinadas condições que não tive oportunidade de tê-las. Também não pude fazer uma avaliação em longa viagem como desejo. Algumas peças como tração, rolamentos e outros itens estão sendo levados em consideração, mas infelizmente leva tempo para poder dizer algo relevante. Para fazer uma nova postagem preciso ter informação suficiente que acrescente algo ao que já foi publicado até agora, senão fica desinteressante para o leitor. Se você quiser publicar sua opinião aqui, fique à vontade. Será importante ter uma outra opinião, principalmente para quem está em dúvida sobre a moto. Fale sobre o pontos positivos e negativos, como você a usa e como ela está se saindo em cada situação. Seja bem-vindo.

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  3. Olá Waldyr, primeiramente, parabéns pelos testes. Alguma novidade sobre o desgaste do Pirelli Angel GT ou parte 4 dos teste? Obrigado desde já.

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    1. Olá amigo, obrigado. O teste foi interrompido duas vezes devido à moto ter sofrido dois acidentes de trânsito e, em consequência, ficou (e ainda está) parada por alguns meses. Mas posso adiantar sobre o que perguntou do Pirelli Angel GT (traseiro): sob pilotagem normal, o pneu rodou mais de 10.000km e está com aproximadamente 50% de desgaste, o desempenho do pneu diminuiu muito discretamente, de forma pouco perceptível (mas isso é normal). A princípio era para publicar a parte 4 (final) com um ano de teste (fev/2015), mas esses dois eventos prejudicaram, especialmente porque num dos acidentes o agente causador se comprometeu em acionar o seguro para terceiros e não o fez, então foi preciso entrar na justiça, inviabilizando a conclusão dos teste no período desejado. Quando coloquei a moto em condições de usar novamente, o segundo acidente, mas desta vez o seguro do causador foi acionado e a moto está aguardando as peças na concessionária. Por isso é bom ter seguro, embora a taxa, em torno de 30% do valor da moto, não seja compensadora. É uma coisa a ser seriamente avaliada, porque, se acontecer algum incidente e você não tiver cobertura, a cifra de R$ 10.000,00 é bem fácil de ser atingida, mesmo numa queda sem maiores problemas. Nestes dois casos a cifra foi acima deste valor. As peças da Bandit não são baratas e para tê-la como moto para o dia-a-dia, além do consumo de cerca de 10km/L na cidade, uma quebra de carenagem frontal ($2.500), com radiador ($3.400), tampa do motor ($900), escape ($5.000) e retrovisor ($400), vai fazer sua conta bancária empobrecer em mais de dez mil Reais, isso sem falar nas pedaleiras e outras coisinhas que vão junto, como fluidos, óleo, filtros, etc. Qualquer acidente é traumático, se não for físico, financeiramente vai ser. Mesmo pilotando com cuidado, não estamos livres, pois sempre tem algum doido pondo a vida dos outros em risco, seja de moto, carro, ônibus ou caminhão. Então toda cautela e consciência são necessários para diminuirmos os riscos e nos divertirmos com segurança. O ideal mesmo é ter uma moto pequena para cidade e uma com mais motor para viajar, sai mais barato (risos).

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    2. Olá novamente Waldyr, uma pena. O importante é que você não sofreu nada grave.
      Atualmente tenho uma 250cc. Venho há tempos avaliando um upgrade, porém não quero nada "modinha", quero uma moto confiável, para o dia dia e viagens. Dentre as avaliadas, a que mais agradou foi a bandit 1250, pelos mesmos motivos que você qualificou nos testes. Fiquei incomodado com a duração do pneu traseiro, pois muitos dizem ter durado entre 3.000 e 8.000 km. Quanto ao consumo, pensei que ela fizesse algo em torno dos 15km/l. Fora esses dois pontos e o valor alto das peças de reposição em caso de queda, achei a bandit com um excelente custo benefício, principalmente a 1250.
      Também não penso em ter duas motos, achei a bandit versátil o suficiente para atender todas minhas necessidades. Além do mais, não tenho espaço na garagem para duas motos e acho muito custoso manter as duas em dias.
      Mais uma vez, parabéns. No aguardo da 4° parte!

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    3. O problema do pneu traseiro é que a Bandit instiga você a acelerar, pois o torque dela é uma gostosura. Então, quando o piloto se empolga, lá se vão o pneu traseiro e a tração com pouca quilometragem, além do desgaste precoce das pastilhas de freio e do pneu dianteiro. Mas, se você controlar seus ímpetos e usar a moto em "modo de pilotagem normal", o que não é tão gostoso quanto ficar esticando mais um pouco, o pneu traseiro chega aos 18/20 mil km (com Bridgestone BT23, Continental Road Attack2, Metzeler Roadtec Z8 Interact, Michelin Pilot Road 2,3 ou 4, e Pirelli Angel GT - são todos excelentes). Mas se você surrar o acelerador, talvez nem 6.000 km você consiga.

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  4. Já tive uma Bandit 1250 S, igualzinha a esta do teste, consegui achar uma com 20.000 km rodados e sem nenhum detalhe par ser feito, foi só pegar e rodar sem nenhum problema.
    Depois de um ano e meio, gostei tanto da moto que troquei por uma 0km na versão GSX 1250fa, que tem a vantagem de possuir o ABS, que me deixou bem mais tranquilo na hora de frear com urgência.
    A GSX é exatamente a mesma Bandit, só que......carenada e com suspenção mais firme que melhorou ainda mais nas curvas, porem deixou meio desconfortável no nosso querido asfalto Brasileiro.
    O pneu eu já tirei a GSX1250 0km com o Pilot road 3, pois negociei na loja VS o original, e minha antiga Bantit já veio com o pilot road. Rodei 6.000 km já com este pneu e ainda parece novo, deve durar uns 15 ou 20 mil km.
    Sobre o consumo, ambas as motos (GSX 1250 e Bandit), fazem média de 15 km/l rodando meio forte com a moto e usando gasolina comum, mas com podium ela faz uns 13 km/h, acho que por culpa minha que sinto a moto mais forte e acelero ainda mais.
    Em 90% dos meus abastecimentos eu uso podium, pois até o som do escape fica mais bonito com minha ponteira esportiva.
    Ao meu ver a única coisa que deveria melhorar nas GSX e Bandit, seria aumentar um pouco a potencia para algo em torno dos 120cv, não que falte potencia.....mas poderia ser maior para atrair mais compradores no mercado.
    A arrancada é um monstro tão forte quanto uma R1, mas depois de uns 180 km/h começa a ficar para traz, porem consegue atingir 260 km/h (pelo painel), é uma moto que vence quase todas as nakeds que existem, exceto alguns monstros como a B-king 1.300cc.
    Aguardo ansioso a conclusão do teste.

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    1. Olá.
      Muito obrigado pelo depoimento e por compartilhar conosco.
      A conclusão do teste foi fortemente comprometida por acidentes com a nossa moto.
      Infelizmente a JToledo tem sérios problemas com peças de reposição. Atualmente e moto está na autorizada há uns 3 meses aguardando pecas. Este ano ela passou mais tempo parada (aguardando peças) do que trafegando. Essa é uma das únicas desvantagens em ter esta moto Suzuki. Não que as outras marcas sejam um exemplo. A Honda e a Yamaha já me deixaram 60 dias esperando por peças. Mas a Suzuki está batendo esse recorde com folga. Mas que seja. Quando a moto sair a gente fecha o teste com dicas fáceis de melhoramento do desempenho da moto, que pode fornecer até perto de 140cv sem precisar mexer no motor. Boa sorte e pilote consciente.

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  5. Boa noite, muito bom os comentarios; possuo uma fazer 600n ,otima moto um canhão,porém quando faço viagens com mais de 200km fico acabado e destruido,vento no peito , ela éconfortavel porém esse conforto tem validade; estou p trocar ela , mas estou na duvida entre gsx 650f e bandit 1250s,tenho duvidas entre elas sobre custo seguro,roubo, procuro conforto, viagens sem cansar sozinho e com garupa e principalmente proteção do vento rs, gostaria da opinião de vocês, abraços

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  6. boa noite,gostei dos comentarios, atualmente tenho uma fazer 6n, moto muito boa, canhão ,porém seu conforto tem prazo de validade de 200 km p ser mas preciso, depois disso fico destruido e acabado, estou namorando a b12s, e tb a gsx 650f, o que procuro nelas é conforto p mim e p patroa, proteção do vento , seguro, roubo etc, gostaria da opinião de vcs em relação às mesmas, gsx acho muito linda,b12 charmosa o duvida, abraços

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  7. exelente post. tbm possuo uma b12,5s
    a minha esta gastando bem,pelo fato do escap direto mas ela tem uma regulagem de injeçao.

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  8. Olá,parabéns pela matéria, muito boa, me serviu de guia, pois quando peguei a Bandit,veio sem o manual e não sabia nda sobre ema, estou aguardando a parte final

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  9. Belo artigo Waldyr Costa... O melhor que já li sobre a Bandit 1250. Tenho uma 1250N e estava mesmo procurando sobre essa relação de rpm x velocidade... E vc foi bem preciso, a minha responde exatamente da maneira que postou!
    Parabéns novamente pelo artigo!

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    1. Olá, Curisco. Que bom que gostou. A intenção é justamente passar as informações mais técnicas e precisas (mas de forma clara). São dados que as revistas normalmente não publicam. Muito obrigado por participar. E se quiser deixar um relato sobre a sua moto, ou outras informações que queira compartilhar, fique à vontade. Boa sorte e pilote consciente.

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  10. jose luis schneider10 de jul de 2016 18:41:00

    muito oportuno seu texte waldyr. possuo uma b12 s ano 2011 esta com 46 mil km. ate hoje somente troquei filtro de ar, pois oleo e filtro troco a cada 5 mil km. viajo muito para argentina, chile, peru e bolivia. a moto é simplesmente sensacional em conforto e confiabilidade. parceiro que viaja comigo tem uma b12 2009 com 110 mil km. moto em perfeito estado de conservação nao deixando nada a dever para outras motos da mesma categoria no mercado, porem com preço justo. penso que jtoledo deixa o povo na mao no quesito reposição pois as b12 nao dao problema. mas como ja disse proprietarios de b12 estao muitos satisfeitos com o equipamento. grande abraço a todos.

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    1. Valeu JLSchneider. Obrigado por compartilhar. Se quiser fazer algum relato de alguma viagem com a bandidona ou as curiosidades com ela, fique à vontade. Boa sorte e pilote consciente.

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  11. Olá, boa noite... não poderia deixar de voltar aqui se por aqui decidi firmemente na compra da minha B1250N, então, estou com ela e ´so alegria, vale lembrar que estou somente a 3 semanas com ela e apenas não posso confirmar o consumo, pq não fiz mas tudo o que relí depois de estar com a moto e É VERDADE (desconsiderar apenas a aerodinâmica abordada pois a minha é a N), lí novamente e confirmo, se vc ler o teste do blog e gostou dela, então pega a moto e será feliz, como eu estou. Parabéns pela matéria, pelo blog e pela ajuda na escolha.

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    1. Valeu, Hoffman. Milhares de km de curtição para você. Boa sorte e pilote consciente.

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