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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Honda GL1800 Gold Wing: 40 anos de supremacia da Asa de Ouro.

Por Waldyr Costa
Imagens divulgação e de domínio público (foto p&b).


Um jovem "coroa"de 40 anos. Tem o conforto de uma limousine.
Pouquíssimas motos no planeta ousam desafiá-la nesta categoria.

A icônica Honda Gold Wing completa 40 anos de juventude. Sempre foi uma moto ousada. À frente do seu tempo quando começou, hoje ainda é uma modernidade sobre rodas, com toda a qualidade que a Honda foi capaz de oferecer, num pacote que entrega muito mais do que se possa imaginar. Com uma incrível leveza para os seus mais de 400kg e um comportamento pra lá de esportivo para uma moto como essa, a Honda GL1800 Gold Wing ainda surpreende a quem a pilota.


O primeiro protótipo da Honda GL1000 Gold Wing se chamou M1, com motor boxer de 6 cilindros. Foi exposto em 1972.
A Gold Wing começou a ser gerada no projeto M1, que juntava a elite de engenheiros e pilotos para desenvolver uma moto de vanguarda, engolidora de quilômetros, que fosse além de todos os padrões conhecidos. Em 1972 foi apresentada à imprensa o protótipo do que viria a ser a famosa Gold Wing, era a M1 com um motor boxer de 6 cilindros.

A Gold Wing estreou em 1975, com motor boxer de 4 cilindros e 1.000cc.

Se passariam mais três anos para que a Gold Wing, finalizada e pronta para entrar em produção, fosse conhecida. Em 1975, com um motor boxer (horizontal) de 999cc, quatro cilindros e refrigeração líquida, chegava às lojas a GL1000 Gold Wing. O sucesso foi imediato nos EUA, que passou a consumir mais de 80% da produção da Honda. A capacidade da moto cruzar o continente norteamericado de leste a oeste com conforto, segurança e confiabilidade, fez a Gold Wing ganhar fama mundial em poucos anos de vida. Era a moto revolucionária que passaria a balizar por décadas o conceito de gran turismo no motociclismo.

Em 1980 a moto assume definitivamente o caráter de Gran Turismo. Totalmente modificada para o prazer nas autoestradas.

O sucesso avassalador no mercado dos Estados Unidos fez a Honda decidir finalmente construir uma fábrica na América do Norte e se estabelecer como a primeira montadora japonesa a fabricar em solo norteamericano. Na virada para os anos 80, após a inauguração da planta de produção nos EUA, a GL1100 Gold Wing abandonou o ar mais esporte-turismo que sugeria e assumiu a bandeira de gran turismo. 

A Honda sempre ofereceu séries especiais ou limitadas da Gold Wing, como esta versão Aspencade de 1982.

A maioria dos acessórios que os usuários costumavam instalar na moto para as grandes viagens, passaram a ser itens de série da própria Honda, que decidiu fabricá-los para deixar a moto pronta para qualquer longa jornada. Além disso, a estrutura da moto foi alterada, o entre-eixos foi alongado, a suspensão passou a ter assistência pneumática (suspensão a ar), o motor (agora 1.085cc) foi alterado para produzir mais torque em detrimento de maior potência, a ergonomia foi otimizada e a moto visualmente passou efetivamente a ter a imagem que ainda a acompanha até os dias atuais.



Em 1985 ela passou a ser 1.200cc e foi remodelada.

Na segunda metade dos anos 80 a Gold Wing já era a GL1200, mais precisamente com 1.182cc, tinha ganhado tuchos hidráulicos (para quem não sabe, é a regulagem automática de válvulas usando a pressão do próprio óleo lubrificante), mais suavidade na entrega de força e torque monumental em baixa rotação. O pacote tecnológico deixou a moto praticamente independente de manutenção frequente. Ela podia cruzar um continente sem precisar de revisão.

O maior projeto de renovação da história da Honda foi feito para recriar a GL1500 Gold Wing para 1988.

O objetivo da Honda para uma nova versão da Gold Wing era bem ambicioso, ela teria quer ser melhor que o anterior em todos os aspectos: extremamente silenciosa e suave, ter mais força e mais potência, maior agilidade e melhor ergonomia. O resultado de tão grandioso, longo e dedicado trabalho foi uma moto que dominou o segmento e passou a ser a moto referência. Objetivo atingido e um maravilhoso motor boxer 1.500cc de 6 cilindros era capaz de levantar os 400kg da moto em apenas uma roda e ainda tinha a agilidade de uma moto de muito menor porte. Esta versão foi uma medalha de ouro aos esforços de engenharia da Honda.

Mais uma vez a Gold Wind se refaz. Tudo novo e o motor 1.8 para ser quase eterno.

A Honda nunca relaxou com a Gold Wing. Ela entra no século XXI com tudo o que a tecnologia poderia dar a uma moto como esta, sem concessões. Motor de 1.832cc, o eterno boxer de 6 cilindros, torque "incalculável" em qualquer posição do acelerador, quadro com vigas estruturais de alumínio e mais 20 novas tecnologias inéditas que a Honda acabara de patentear para poder incluí-las na GL1800.

Em 2012 foi lançada a última versão da GL1800 Gold Wing.

O torque de mais de 17kgfm faz a meia tonelada da Gold Wing, com piloto e passageiro inclusos, parecer meio quilo. O novo quadro de alumínio, combinado com a balança monobraço também de liga de alumínio, dá a GL1800 dá uma agilidade impressionante para uma moto com tanto volume e peso.

Edição especial de de 40 anos para 2015.

 A lista de "incluindo" é interminável: sistema de frenagem combinado, com ABS, airbag, motor elétrico para marcha à ré, sistema anti-mergulho na suspensão, computador de controle de velocidade de cruzeiro, suspensão traseira com controle eletrônico, controle remoto de abertura e liberação das malas, sistema de som digital de alta definição e mais uma imensa lista de acessórios para as mais exigentes clientes.

Versão preta da edição comemorativa de 40 anos para 2015.

Em 2005 foi lançada uma edição comemorativa aos 30 anos e mais de 500.000 unidades vendidas. Em 2006 o ABS passou a ser item de série, o sistema de áudio foi melhorado com a utilização de seis alto-falantes de alta fidelidade e 160W de potência que também eram de série, além de disponibilizar air-bag opcionalmente. Outros itens eram: GPS com sistema HSLNS da própria Honda, com painel digital colorido que inclui pontos de interesse e outras mil funções, controles e acessibilidades; aquecedor de manopla, assento e encosto com cinco opções de temperatura, além sistema de aquecimento dos pés com ar quente do motor e mais um pacote itens opcionais para pilotagem em baixa temperatura com conforto; e mais alguns melhoramentos nos sistemas elétrico e sinalizadores.


A quase perfeição da Gold Wing já está deixando a tarefa de melhorá-la muito difícil.

Não houveram mais alterações significativas desde 2006. Mas praticamente tudo o que é possível imaginar ela já tem. Chega uma hora que não tem mais como aumentar um pacote sem deixá-lo com algo supérfulo, e isso numa moto não é nada bom. Então, para não exagerar na dose ela continua a mesma, por enquanto. Uma master touring de referência após 40 anos de produção contínua. Não é uma moto para qualquer bolso, mas não passa por ninguém sem instigar um pouco de desejo, ou simplesmente curiosidade, sobre o que se deleitar sobre uma máquina dessas.

A "logo" 40 anos está impressa no encosto do banco, ou melhor, do sofá do garupa.

Foi criada uma logomarca comemorativa para constar em alguns itens da moto Gold Wing.

A chave não deixou de ser lembrada e carrega os 40 anos onde quer que o seu dono esteja.

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