Translate

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Honda CB500F 2016 (2017): muito mais sexy.

Por Waldyr Costa
Imagens divulgação



A CB500 é um nome clássico para a Honda desde a década de 70. As primeiras CB500 eram equipadas com motor de quatro cilindros da mesma geração da famosa “sete-galo” CB750. Uns 20 anos depois, nos anos 90, as bicilíndricas, lançadas em 94 com motor derivado da Fireblade 900, também fizeram seu sucesso e deram a fama àquele motor de ser um dos mais resistentes que a Honda já havia produzido. No Brasil elas chegaram apenas como modelo 98. 




O 1997 modelo recebeu freio traseiro a disco, substituindo o tambor. Em 2004 veio uma versão 100% nova, exceto pelo motor, mas a Honda não trouxe para o Brasil aquela que se chamava CBF500 e tinha recebido suspensão pró-link na traseira, além de um design inédito.


Se passaram mais outras duas décadas para a Honda apresentar uma nova geração de CB500. Lançada nos salões europeus em 2012 e comercializada aqui no Brasil e partir de 2014, esta nova geração conta com três versões (F, R e X) e recebe o primeiro upgrade, três anos após seu lançamento e apresentado no salão de Milão/ITA como modelos 2016, que incluía também upgrades nas NC.


A característica do motor desta nova CB500F é diferente daquela que foi comercializada no Brasil entre 1997 e 2005. Naquela geração o motor da CB ia tranquilo até 4.000rpm, só acordava lá pelas 6.000rpm, ficava bem esportivo às 8.000rpm e só parava perto de 12.000rpm. Era econômico, mas não tanto como este novo, que é praticamente 50% mais econômico sem perder muito em desempenho para isso. 


Este novo motor “termina” mais cedo: às 9.000rpm já passou do ponto. Mesmo assim a potência perdeu menos de 10% no modelo vendido no Brasil, caiu de 54cv para 50cv, o que é pouco se considerarmos que o consumo rodoviário pulou de uns 20km/L para quase 30km/L. O ganho foi no torque, que vem em rotações bem mais baixas e o motor parece mais cheio, porém não permite aquelas esticadas gostosas de marcha até acima das 10.000rpm que as CB500 de 1998 a 2005 permitiam.


Atualmente, com o acirramento de concorrência nessa faixa de cilindrada - na Europa ela concorre também com as 300/400 em preço - foi preciso melhorar o produto para deixá-lo mais competitivo. Você já deve ter lido a matéria com a nova CB500X (2016/2017) aqui em nosso blog e já está a par de algumas coisas (se não leu, leia, porque esta matéria é como uma continuação), mas as atualizações da CB500F tem algumas diferenças em relação aos modelos X e R.


Para ser um modelo versátil, a CB500F tem que ter muitas qualidades. Concorrer com as 650 bicilíndricas como melhor custo benefício e também com as 300cc da mesma forma, exigia alguns requisitos que as CB500 ainda não tinham. O principal deles era o design um tanto pacato em comparação com os outros fabricantes, outro fator era o modelo ser bem básico, além da limitação de desempenho do motor, mais voltado aos iniciantes com carteira A2 (Europa). 


O conceito de desenho “Mecânico & Agressivo” angular e minimalista, como diz a própria Honda, para a CB500F, foi levado mais a fundo, pois ainda não estava evidente que essa era a idéia. Agora a imagem da CB passa mais esse conceito à primeira vista. O conjunto ótico “rebaixado” e compacto, com a adoção de Leds no farol, soma-se às linhas ascendentes e ao novo assento, criando um porte mais avantajado, concentrando a massa do corpo ao redor do motor.


O farol é o mesmo da CB500X, com pequenas diferenças na capa que o recobre em virtude da ausência de para-brisa. O painel encravado na parte superior do conjunto ótico acentua o aspecto esportivo da frente. Ainda na visão frontal, destacam-se os “ombros” largos, formados pelas carenagens laterais do tanque com suas falsas entradas de ar, que parecem parecem as narinas de um felino pronto para atacar.


O radiador continua protegido pelas extremidades do motor e guidão, o que minimiza o risco de danificá-lo em caso de queda. A traseira é toda nova e, ao invés de alças para o garupa, o suporte de mão está integrado à rabeta. O assento do coitado do garupa foi rebaixado de banco para tamborete e é basicamente o mesmo que equipa a nova CBR500R. Aliás, toda a parte de trás da CB500F foi “roubada” da CBR500R.


As aletas laterais, que antes recobriam o radiador, encurtaram-se e deixam à amostra mais do quadro e do motor, que está elegantemente pintado em duas cores: as tampas superior e laterais em bronze e o bloco em preto. A parte ruim é que o radiador não parece um item que combina com a beleza do conjunto, dando a impressão de algo com qualidade inferior. Se o radiador tivesse uma tampa lateral de alumínio escovado (como aquela da Bandit 2009), a visão lateral ficasse perfeita.


As pedaleiras mudaram. A do piloto perdeu o peso que absorve vibrações e ganhou um pino mais longo para avisar mais cedo o limite de inclinação (talvez por causa da tampa do silenciador). O suporte dos pedais é novo, para o piloto o conjunto ficou menor e mais compacto e para o garupa ele ficou mais curto e grosso, além de que o pedal do garupa agora é do tipo esportivo (antes parecia basicão, vindo de uma 125), agora é de alumínio, como o resto do conjunto, porém sem o revestimento de borracha. Pelo jeito o conforto de passageiro foi o mais sacrificado nessa nova CB. 


As outras tampas laterais foram atualizadas e o parafuso do eixo da balança agora fica escondido sob uma tampa plástica. Atrás, o para-lama traseiro foi eliminado em favor de um suporte de placa derivado da CBR500R. O escape perdeu aquela proteção grande que tinha na parte inferior e, em troca, tem um protetor mais discreto, pintado de preto, que passa menos percebido. 


A ponteira silenciadora, antes cilíndrica e pouco agradável ao olhar, foi substituída por outra com grande apelo esportivo, com formato multi angular e aspecto cônico, com uma capa protetora para as pernas do piloto e garupa. Ela é 2kg mais leve e contém duas câmeras acústicas ligadas por um duto que deixa o som do escape mais grave nas acelerações.


Outros melhoramentos para a CB500F foram os mesmos que a CB500X recebeu, manete de freio com regulagem em 5 níveis, tampa do tanque integrada basculante, ajuste na pré-carga da mola da suspensão dianteira por parafuso e na traseira há 9 estágios de pré-carga, lanterna traseira incolor (cristal) com Leds vermelhos, o farol dianteiro 100% de Leds (12W no alto e 4,8W no baixo) e a nova chave de ignição ondulada. 


O painel também é compartilhado pelas três versões da CB500 (F, X e R), agora com fundo preto e dígitos brancos, com tacômetro (conta-giros) com gráfico de barras, odômetro total e dois parciais, relógio, marcadores (nível) de combustível e de consumo. E por falar em consumo, ela ficou mais econômica, segundo a Honda, melhorou de 27km/L para 29,4 km/L (medido pelo padrão europeu).


O quadro é de tubos de aço com 35mm de diâmetro, com estrutura tipo diamante. O entre-eixos encurtou 1cm, com a centralização das massas bem próxima ao eixo da balança, melhorou a distribuição de peso e a agilidade. Com o novo desenho do tanque de combustível, o volume passou para 16,7 litros, um litro a mais. A economia de 2kg no escape ajudou a baixar o peso, agora 190kg na versão ABS com tanque cheio. A versão sem ABS foi descontinuada, embora que, no Brasil, como não há a obrigatoriedade igual à da Europa, o modelo pode aparecer aqui sem ABS, mas acho pouco provável que isso acorra.


Comparando-se as atualizações da CB500F com aquelas da CB500X, a “F” recebeu mais melhorias, pois da metade para trás a “X” parece que quase não mudou, enquanto que a CB500F parece uma outra moto, porém sem perder identidade. Agora ela parece muito mais ser uma irmã da CB1000R do que era antes. 


A CB500F estará disponível em seis cores vibrantes, com os decalques adesivos nas rodas já inclusos de série:

Ross White and Millennium Red (Tricolor)
Lemon Ice Yellow/Graphite Black (Amarelo/Preto)
Candy Energy Orange/Macadam Grey Metallic (Laranja/Cinza)
Millennium Red/Macadam Grey Metallic (Vermelho/Cinza)
Pearl Metalloid White/Macadam Grey Metallic (Branco/Cinza)
Matte Gunpowder Black/Matte Krypton Silver Metallic (Preto fosco/Prata)

Algumas dessas cores podem não estar disponíveis em alguns países, incluindo o Brasil.


Especificações Técnicas:

MOTOR
Tipo: 4 tempos a gasolina
Volume: 471 cc
Refrigeração: líquida
Cilindros: dois paralelos
Diâmetro e curso: 67 x 66,8 mm
Taxa de compressão: 10,7:1
Potência máxima: 50,4 cv @ 8500 rpm (BRA)
Torque máximo: 4,55 kgfm @ 7.000 rpm (BRA)
Capacidade de óleo: 3,2 litros


ALIMENTAÇÃO
Carburação: injeção eletrônica PGM FI
Tanque de combustível: 16,7 litros (incluindo a reserva)
Consumo (WMTC): 29,4 km/L (padrão europeu)


SISTEMA ELÉTRICO
Partida: elétrica
Bateria: 12V 8,6AH
Alimentação: estator (ACG) 23.4A @ 2000rpm


TRANSMISSÃO
Embreagem: multidiscos em banho de óleo
Câmbio: 6 velocidades
Transmissão final: corrente 520


CHASSIS
Quadro: tipo diamante, aço
Dimensões: (CxLxA) 2080mm x 790mm x 1060mm
Entre-eixos: 1.410mm
Ângulo da cáster: 25,5 graus
Avanço de trail: 105mm
Altura do assento: 785mm
Distância do solo: 160mm
Peso abastecida: 190kg


SUSPENSÃO
Dianteira: garfo telescópico, ø 41mm, pré-carga ajustável por parafuso (stepless)
Traseira: Prolink, monoamortecida, 9 níveis de ajuste na pré-carga e balança de aço com seção retangular


RODAS
Dianteira: liga de alumínio 6 raios em Y, 12 links, 17x3,5 polegadas, pneu 120/70ZR
Traseira: liga de alumínio 6 raios em V, 12 links, 17x4,5 polegadas, pneu 160/60ZR


FREIOS
Tipo: ABS de dois canais, de série
Dianteiro: disco simples de borda ondulada, 320mm, pinça de dois cilindros simples
Dianteiro: disco simples de borda ondulada, 240mm, pinça de um cilindro simples


INSTRUMENTAÇÃO E COMANDOS
Painel digital, display negativo, com tacômetro, odômetro total e dois parciais, relógio, nível de combustível e consumo.
Sistema anti-furto: HISS (Honda Intelligent Security System)
Farol: todo em leds, com 4,8W no baixo e no alto 12W.

19 comentários:

  1. a media cilindrada mais linda de todos os tempos.

    ResponderExcluir
  2. Essa moto chega à 180kh, sim ou não?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Corta de final a 188 km/h.

      Excluir
    2. Sim eu tenho uma e ela em reta na estrada chegou 181 km.

      Excluir
  3. Muito linda essa moto pretendo comprar uma logo logo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Boa sorte, Renan. Que você consiga o mais cedo possível.

      Excluir
  4. Se a CB500F com ABS for vendida pelo mesmo preço da MT-03 também com ABS, qual a melhor opção? Na minha cidade a HONDA está fazendo promoção da CB500F.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Meroveu. Às vezes decidir entre uma moto e outra é muito mais uma questão pessoal do que uma questão técnica.

      Pessoalmente eu preferiria a CB500F porque gosto motor com mais torque, mais conforto e uma boa economia.
      Já outra pessoa pode preferir a MT-03 pelo estilo, por ser uma moto mais leve, mais fácil de pilotar e com um bom desempenho, além de uma provável manutenção mais baixa. Importante é o que "pesa" mais para você e isso é você mesmo quem tem que decidir. Qual o seu gosto, os seus interesses e o que faz teu coração bater mais forte?

      São duas boas motos, mas pelo mesmo preço acho que a CB500F oferece mais em termos de custo-benefício, pois ela consome igual a uma 250cc e tem um bom desempenho, com mais conforto e segurança. Atualmente a CB500F está com o preço mais "merecido", já a MT-03 está com o preço inflacionado.

      Algumas pessoas preferem mais exclusividade e não se importam de pagar mais por isso, é o caso da MT-03, da 390 Duke da KTM e da Z300 da Kawasaki. Pessoas pagam mais para ter uma MV Agusta, não é verdade? Vale a pena? Para quem quer isso, claro que vale. Mas se a sua prioridade é custo benefício e economia com racionalidade, pode não fazer sentido investir 100 "dinheiros" em uma coisa que você por ter por 50 "dinheiros". Você quer só um meio de transporte eficiente? Vá para o básico. Ou você ama motos e tem suas preferências e paixões? Então o valor importa menos que o desejo.

      As matérias com as duas motos estão aqui no site, leia e você terá informação suficiente para escolher. Não fique indo muito por opiniões individuais. O melhor pra mim não é o melhor pra você, pode até coincidir, mas "cada cabeça é um mundo", como se diz popularmente. Decida por você, os outros são os outros. Ame e curta o que você conquistou, porque ninguém, além de você mesmo, vai saber o significado disso. Eu deixei minha opinião, mas decida pela sua própria opinião. Isso não quer dizer que você ou eu estejamos certos ou errados, apenas que decidimos por nós mesmos. Errar faz parte da vida, assim como acertar, o bom é aproveitar o tem tem de positivo em tudo e fazer as coisas sem medo. A coragem te fará feliz, o medo te fará infeliz. Seja feliz. Boa sorte e sempre pilote conscientemente.

      Excluir
  5. Estou ja a dois meses aguardando na fila de espera pelo modelo CB500F (na Turbo Motos Honda / Porto Alegre - RS).
    Fiz o "Test Ride" nas Z300, MT03 e KTM390DUKE, destas achei a mais empolgante a 390DUKE (por ter mais torque, possuir uma melhor relação peso potência, ter uma menor distância entre eixos e assim mudar de direção com mais agilidade, mas em uma volta rápida o que me decepcionou no modelo KTM foi a grande vibração é o acento duro que em conjunto me anestesiaram a parte inferior da coxa), resolvi testar a 500F ($3000 mais cara), mas depois que montei na mesma, foi algo inexplicável, me senti rodando em uma moto de 700cc, confortável, silenciosa, com baixa vibração, um torque sobrenatural, ela te faz sentir parte do asfalto até mesmo em curvas, foi amor a primeira volta!
    Quem quer moto de verdade nesta faixa de investimento vai de CB500F.
    Mau vejo a hora de receber uma ligação avisando que a minha (esperando fila de espera) já chegou...
    Minha bela tricolor ABS!
    A matéria está excepcional, parabéns Waldyr.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu, Rodrigo. Boa sorte com a moto. Depois posta aqui um relato pra gente de como está sendo com a moto. Os motociclistas valorizam muito a opinião de usuários. Até breve.

      Excluir
  6. Waldyr, muito sensato a sua opinião, e sem tendências comerciais, que é muito bom. Estava estudando sobre esta moto e outras na mesma faixa de preço e cilindrada e percebi que ela tem diferenciais como todas as outras, e como você bem relatou que gosto é coisa particular de cada um optei pela compra deste modelo.
    Parabéns pela lúcida reportagem, você faz a diferença no mundo das duas rodas. Obrigado

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pela participação e pelos elogios, motociclista. Sua opinião é muito importante para nós. Depois nos conte como está sendo com a sua nova máquina. Boa sorte e pilote consciente.

      Excluir
  7. Olá boa noite alguém sabe me falar se a cb500 2017 consome em termos de combustível o mesmo que uma 250?obrigado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Daniel. O consumo da CB500F é aproximadamente igual ao de uma 250cc. Pilotando com cuidado se obtém valores próximos a 30km/L. Mas você sabe que consumo depende de muita coisa: relevo, carga, modo de pilotagem, pneus, clima etc. Você pode obter informações de consumo de usuários do mundo todo em www.fuelly.com/motorcycle.

      Excluir
    2. eu tenho uma 2014, digo q quem anda de 500cc não está preocupado com o consumo!

      Excluir
  8. Oi, sei que o visual altera muito com baú, sabe me dizer se é possivel colocar um na CB500f.

    ResponderExcluir
  9. Oi, sei que o visual altera muito com baú, sabe me dizer se é possivel colocar um na CB500f.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Allan, é possível sim. Procure uma concessionária para acessórios originais ou uma loja especializada, para produtos alternativos. Pesquise na web que vai encontrar vários itens para personalizá-la. Boa sorte.

      Excluir

ATENÇÃO: seu comentário passará pelo moderador antes de ser publicado, então não será publicado imediatamente. Procure escrever em bom Português e não utilize linguagem ofensiva. Se comentar como anônimo, informe seu nome. Comentários desrespeitosos, ofensivos e com linguagem imprópria serão excluídos.